Escore de Cálcio Onde fazer

Escore de cálcio coronariano

Um número medido em tomografia, sem contraste, que estima quanta placa calcificada existe nas suas artérias — e que muda a decisão de tratar quando é lido com os critérios certos.

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Digite o valor do laudo para ver a faixa e o que a diretriz brasileira associa a ela.
  1. 0Sem cálcio detectável
  2. 1–10Cálcio mínimo
  3. 11–99Carga inicial
  4. 100–300Alto risco
  5. 301–399Muito alto risco
  6. 400+Muito alto risco, carga alta

O que o exame mostra, e o que ele não mostra

Confundir as duas coisas é a origem de quase todo mal-entendido sobre o resultado — inclusive o de quem recebe um zero e relaxa onde não deveria.

Mostra o cálcio

A quantidade de cálcio na parede das artérias coronárias, em unidades Agatston. É um marcador da carga de placa que você acumulou ao longo da vida.

Não mostra estreitamento

O escore não mede obstrução. Quem responde “existe entupimento e quanto” é a angiotomografia de coronárias, que usa contraste e é outro exame.

Não serve para quem tem sintoma

Dor no peito, falta de ar ou desmaio pedem avaliação imediata, não exame eletivo de rastreamento. Se esse é o seu caso, procure atendimento agora.

Escore de cálcio

Pergunta: quanta placa calcificada eu tenho?

  • Sem contraste, sem acesso venoso
  • Aquisição de poucos segundos
  • Serve para refinar risco de quem não tem sintoma
  • Não descreve estreitamento nem placa mole

Angiotomografia de coronárias

Pergunta: existe estreitamento, e onde?

  • Com contraste, com acesso venoso
  • Mostra placa calcificada e não calcificada
  • Serve para investigar sintoma e dor torácica
  • Exige preparo e avaliação de indicação

Em muitos casos os dois se complementam. A indicação depende do seu quadro clínico — é isso que a consulta resolve.

As faixas, uma por uma

O que muda de faixa para faixa não é o susto — é a conduta, e o peso que o número passa a ter na decisão de tratar.

Faixas de escore de cálcio coronariano e o que cada uma significa
Faixa (UA) O que costuma significar O que a diretriz de 2025 associa
0 Nenhum cálcio detectável; cerca de 1% de eventos em 10 anos. Não reclassifica; não descarta placa não calcificada.
1–10 Cálcio mínimo, já com o dobro da mortalidade de quem tem 0. Não reclassifica isoladamente.
11–99 Carga inicial; o peso depende do percentil para idade e sexo. Percentil acima de 75 entra como aterosclerose subclínica.
100–300 Placa estabelecida, com risco claramente maior. Alto risco cardiovascular.
301–399 Carga alta, no território de maior risco. Muito alto risco cardiovascular.
400+ Mortalidade coronariana 5,4 vezes a de escore zero. Muito alto risco cardiovascular.

Unidades Agatston (UA). Comparações de risco contra escore zero vêm do estudo MESA e do CAC Consortium, referenciados ao pé da página. Pessoas com diabetes e pessoas com hipercolesterolemia familiar têm regras próprias — veja as cinco regras abaixo.

O que a diretriz brasileira faz com o número

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 é o documento que orienta a decisão no Brasil. Ela reserva uma tabela inteira ao escore de cálcio. São cinco regras.

Fonte: Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640, Tabela 4.4.

  1. 1

    Quem tem risco calculado intermediário, mais de 40 anos e LDL colesterol entre 70 e 159 mg/dL se beneficia de medir o escore, quando o exame está disponível.

  2. 2

    Escore acima de 100 UA, ou percentil acima de 75 para sexo e idade: classificado como alto risco cardiovascular.

  3. 3

    Escore acima de 300 UA: classificado como muito alto risco cardiovascular.

  4. 4

    Em pessoas com diabetes, escore entre 10 e 300 UA já classifica como alto risco.

  5. 5

    Em pessoas com hipercolesterolemia familiar, escore acima de 100 UA classifica como muito alto risco.

Quando o exame muda a decisão

O escore é mais útil exatamente onde a conta não fecha: risco intermediário, pessoa acima de 40 anos, LDL colesterol entre 70 e 159 mg/dL, decisão sobre iniciar estatina ainda em aberto. É ali que um número a mais separa duas condutas.

E ele também serve para o contrário. Cerca de 1 em cada 3 pessoas que preenchia critério de estatina pela diretriz americana de 2018/2019 tinha escore zero — e nesse grupo a mortalidade cardiovascular foi cerca de 12 vezes menor do que em quem tinha algum cálcio (0,2% contra 2,4%). É informação que muda a conversa, não que a encerra.

Três razões diferentes para fazer o exame

O mesmo número significa coisas distintas conforme a sua idade, o seu histórico e o que você já sabe sobre o seu risco. Comece pelo seu caso.

Dr. Rui Faria Filho, cardiologista
Dr. Rui Faria Filho, CRM-RN 5596 · RQE 2328.

Quem lê o exame

Quem interpreta um escore não deveria ser um programa que devolve faixa. O número é o começo: o que muda a leitura é a densidade do cálcio, a distribuição pelos territórios das coronárias, a comparação com exames anteriores e o seu histórico.

Sou cardiologista com atuação em imagem cardiovascular avançada, formado no InCor-USP e certificado em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School. Já realizei e laudei mais de 11 mil angiotomografias — e é essa leitura, não apenas o número do laudo, que orienta a conversa na consulta.

  • CRM-RN 5596, RQE 2328, CRM-PB 7647
  • Imagem cardiovascular avançada
  • InCor-USP e Harvard Medical School, em Medicina do Estilo de Vida
  • Consulta de 60 minutos em Natal/RN e João Pessoa/PB

Onde fazer o exame

Realizo o escore de cálcio em três serviços de imagem. O agendamento é feito direto com o serviço, que também confirma preparo, documentação e cobertura do seu convênio.

Dr. Rui Faria Filho, de jaleco branco e estetoscópio
Dr. Rui Faria Filho, cardiologista com atuação em imagem cardiovascular avançada.

Fora dessas três cidades, o exame pode ser feito em outro serviço de imagem e o laudo trazido para avaliação na consulta.

Guia: como ler o seu resultado

Um PDF curto, para levar para a consulta: o que cada faixa significa, as cinco regras da diretriz de 2025, e as perguntas que valem ser feitas sobre o seu número.

Sem promessa de resultado e sem indicar conduta: é material informativo.

Perguntas frequentes

Qual escore de cálcio é considerado normal?

Zero é o único resultado sem cálcio detectável. Qualquer valor acima disso indica placa calcificada, e a partir de 100 UA a diretriz brasileira de 2025 já classifica a pessoa como alto risco cardiovascular. “Normal” e “sem risco” não são sinônimos.

O que significa escore de cálcio zero?

Nenhum cálcio foi detectado. Em séries grandes, isso se associou a cerca de 1% de eventos em 10 anos — um risco baixo, mas não nulo. Zero não descarta placa não calcificada nem dispensa tratar outros fatores.

Escore 1 a 10 é praticamente zero?

Não. Quem tem 1 a 10 teve aproximadamente o dobro da mortalidade de quem tem escore zero. É uma faixa de risco intermediária que merece leitura junto com idade, histórico familiar e colesterol.

O escore de cálcio mede entupimento?

Não. Ele mede a quantidade de cálcio na parede das artérias, não o grau de obstrução do canal. Para saber se há estreitamento e onde, o exame é a angiotomografia de coronárias, com contraste.

Estatina aumenta o cálcio das artérias?

Estudos com ultrassom intracoronariano mostram que estatinas aumentam a calcificação da placa de forma independente da redução do volume de placa. Isso é interpretado como estabilização da placa, e não como piora da doença.

Dá para baixar o cálcio das artérias?

Não existe tratamento para retirar o cálcio já depositado. O que se trata é o processo que forma a placa: colesterol, pressão, tabagismo, sedentarismo, diabetes. O cálcio é o registro do que aconteceu, não um alvo a dissolver.

Com que frequência repetir o exame?

Não há intervalo universal. Na maioria das pessoas, um escore zero não precisa ser repetido de rotina, e a repetição costuma ser discutida em cenários específicos — progressão suspeita, mudança importante de risco ou decisão terapêutica em aberto. Quem define o intervalo é o médico que acompanha o caso.

O exame tem contraste? Dói?

É uma tomografia sem contraste, sem acesso venoso e sem injeção, com aquisição de poucos segundos. O exame não dói. O preparo específico é confirmado pelo serviço onde você agenda.

Quem deve fazer o exame?

A indicação mais estabelecida é em adultos acima de 40 anos com risco cardiovascular intermediário, quando a decisão de tratar está em aberto. Pessoas com histórico familiar forte ou com dúvida sobre o próprio risco também discutem a indicação na consulta.

O escore de cálcio substitui o escore de risco?

Não, ele complementa. A diretriz brasileira de 2025 usa o PREVENT para estimar risco e reserva o escore de cálcio para refinar essa estimativa em casos selecionados. Um número novo não apaga o cálculo anterior: ajusta.

Quem interpreta o exame importa?

Importa. Dois escores iguais em pessoas diferentes podem significar riscos diferentes, conforme idade, sexo, distribuição do cálcio pelos territórios e evolução em relação a exames anteriores. O número é o mesmo; a leitura, não.

Escore alto é sentença?

Não. Escore alto indica que a doença aterosclerótica já está instalada e que o controle dos fatores de risco precisa ser mais firme. É informação para agir, não um prognóstico fechado.

As respostas acima resumem evidência publicada e a Diretriz Brasileira de 2025. Elas não substituem consulta médica e não indicam conduta individual.